Um novo procedimento para eliminação de miomas, que descarta a necessidade de cirurgia e preserva o útero da mulher, a embolização, foi um dos principais temas do 11º Congresso da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice), realizado no último fim de semana, em Salvador. O método não-invasivo já utilizado com sucesso no tratamento de aneurismas e tumores cerebrais, começa a ser aplicado para eliminar tumores uterinos, possibilitando à mulher engravidar posteriormente ao tratamento.
O Congresso contou com a participação de especialistas de vários países. A programação teve foco na atualização da técnica que está sendo introduzida na Bahia como alternativa à cirurgia para retirada de miomas. Criada pelo médico francês Jacques Ravina, em 1991, a técnica consiste na introdução de um microcatéter na artéria da perna, fazendo com que chegue até uma das artérias uterinas que alimentam o útero e o mioma, bloqueando-a com micropartículas, provocando uma espécie de enfarto do tumor. As vantagens são inúmeras para as pacientes que querem tratar o mioma sem correr o risco da perda do útero. “Basta dizer que muitas se tornam aptas a engravidar após se submeterem ao tratamento”, observa Dr. Marcus Vinicius Borges, do Instituto de Radiologia Intervencionista da Bahia – Inradi. O procedimento é realizado em 50 minutos e a paciente tem alta seis horas após a intervenção. “Em 13 dias ela já está de volta a sua rotina normal”, resume o intervencionista. Para o Dr. André Goyanna, também do Inradi, a importância de difusão da embolização, procedimento aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration), um dos órgãos de Saúde mais exigentes do mundo, se evidencia a partir do percentual expressivo de mulheres com mioma. De acordo com dados do Inradi e da Sociedade de Ginecologia da Bahia, cerca de 60% de mulheres com mais de 40 anos têm mioma. Como 30% de mulheres com mioma são negras, a estatística é ainda mais enfática na Bahia, onde se concentra a maior população de afrodescendentes das Américas. Entre as mulheres que têm o tumor uterino, de 20% a 50% desenvolvem sintomas como dor, sangramento e infertilidade, casos nos quais quase sempre opta-se pela cirurgia para retirada do mioma (miomectomia) ou do útero (histerectomia). Embora não existam dados no Brasil, a histerectomia – cirurgia que resulta na retirada completa do útero vem sendo muito praticado nas redes pública e particular de Saúde e inclusive em mulheres em idade reprodutiva.
O volume é tão grande que em hospitais públicos uma paciente precisa ficar de quatro a cinco meses na fila de espera para realizar a cirurgia. A preocupação de médicos como Dr. André Goyanna e Dr. Marcus Vinicius Borges, integrantes do pequeno grupo de intervencionistas que vêm trabalhando com a embolização de pacientes com tumor uterino, no estado, é quanto “a banalização deste tipo de intervenção tão radical, como a histerectomia”. Embora mais de 40 mil pacientes em diversos países já tenham se submetido ao tratamento, inclusive no Brasil, onde vem sendo mais difundido nas regiões Sudeste e Sul, na Bahia o percentual de pacientes embolizadas ainda é inexpressivo, contrapondo-se ao número cada vez maior de intervenções cirúrgicas.A expectativa dos intervencionistas é de que a partir da recente determinação da Associação Nacional de Saúde – ANS, os planos de saúde passem a cobrir o tratamento, orçado em torno de R$12 mil.
Nova técnica elimina miomas preservando útero da mulher
03 de Janeiro de 2024Saiba mais sobre a nova técnica de embolização de miomas